quinta-feira, 13 de junho de 2013

Solidariedades mil


“O sistema de policiamento, atacado com pedras, revida com balas de borracha e gás lacrimogêneo, independente da situação em que as crianças da região se encontram. Em depoimento, a PM informa que os policiais fizeram seu papel”.

 

Este fato pode passar isoladamente pela nossa sociedade, mas, como sujeitos conscientes, não podemos ignorar essa realidade que assombra muitas famílias em todas as partes do mundo, inclusive em todo o Brasil.

Surgiu nos últimos dias um caso especial de desapropriação de terreno. É espantoso como a mídia se apropria destas situações, em que as classes baixas sofrem, se desesperam e se descontrolam. O foque durante a reportagem esteve, em grande parte, nos moradores que se protegiam como podiam, atirando pedras, para proteger sua casa e seus pertences. Estes mesmos moradores considerados “cidadãos” eram revidados pela tropa de choque devidamente armada e ameaçadora.

Para muitas pessoas essa situação é ignorável, para outras tantas, as quais já sofreram situação semelhante, sobra a revolta e indignação. Digo isso visando que as minhas experiências biográficas compactuam as afinidades perante o assunto. Sendo assim, até que ponto somos justos em desapropriar pessoas que não tem condições de moradia, nem tampouco de outros direitos que são garantidos por lei, para despejá-las de sua residência?

Creio que muitos dos leitores devem estar cientes da onda de incêndios em favelas ocorridos no final de 2011 e inicio de 2012. Desta onda, surgiram diversas pessoas interessadas em ajudar os necessitados, outros tantos limitaram-se apenas lamentar. Quando percebemos crianças envolvidas dizemos que elas não tem culpa, que não escolheram por aquilo, mas perguntamos se o trabalhador, que por conseqüências do destino e da desigualdade social de classes, é culpado por morar em situações de risco, e em locais os quais teme ser desabrigado?

Falta humanização, ou quem sabe seja exatamente a nossa humanidade que possibilita a existência destas realidades, pois se a humanidade possibilitou a “evolução” da espécie, possibilita ainda a manutenção das disparidades e desigualdades de acesso à educação, à cultura, à moradia e à saúde.

Nestes momentos refletimos: o que é necessário ocorrer, para que as pessoas sintam-se humanas e ajudem uns aos outros sem a necessidade das tragédias?  A realidade só é chocante quando chama a atenção da mídia burocrática de comunicação em massa?

Finalizo apenas com um quadrinho de Armandinho:

domingo, 9 de junho de 2013

A culpa é de quem?

Em certos momentos nos deixamos manipular pela transição de idéias legitimadoras de diversos instrumentos de comunicação em massa, sejam revistas, jornal, televisão ou mesmo a própria internet.
Deparamo-nos no dia-a-dia com as mensagens pré-estabelecidas e “digerimo-as” como situações objetivas da realidade. Podemos citar, neste momento, como as mídias transformam a ação social de cidadão em uma luta contra a comunidade. Digo isso consciente, indubitavelmente, da ingenuidade receptiva dos leitores destas mensagens pragmáticas em que os oprimidos tornam-se “opressores”. Uma observação clara disso é o ato civil das greves e manifestação. Tivemos recentemente uma manifestação contra o aumento da taxa do transporte público.
Sobre o assunto podemos observar que a mídia fantasiou em muito a situação ocorrida, mas, ignorantemente, deixou algumas lacunas a serem discutidas. Podemos especular diversas opniões sobre o que a própria mídia proporcionou de informações. Em primeiro lugar analisamos a informação sobre a violência dos “ativistas” durante a manifestação. Considerando, como propõe Isaac Newton, que “toda ação corresponde a uma reação”, a manifestação surge como uma forma, do povo, de expressar uma reprovação da imposição do Estado de aumento da taxa de condução. Podemos ainda problematizar que foi exposto que os manifestantes tiveram de ser detidos pelo sistema de policiamento através de bombas de gás e balas de borracha. Informam ainda que vidros do sistema de metrô foram quebrados durante a manifestação, considerando que foram os “marginalizados” freqüentantes da manifestação que o fizeram, mas se quem disparou os tiros com balas de borracha foi a polícia, o que nos garante que foram os manifestantes que depredaram o metrô e não os agentes do Estado que ali oprimiram? Da mesma forma, podemos analisar que ninguém parte pra agressão se não se sente oprimido, sendo assim, como começaram as ações de violência durante a manifestação?
Estas questões são ignoradas pelo sistema midiático, o qual escandaliza o cidadão transformando-o em vilão, quando o que o mesmo pretende é expressar sua opinião sobre o mundo. Percebemos ainda que a indignação parte daqueles que utilizam o transporte público, adolescentes, estudantes, proletários, entre outros. Essa não é uma preocupação dos detentores do capital econômico, uma vez que os mesmos transportam-se de carro, ou até mesmo helicóptero. A mídia não divulga que quem realmente sofre com essas situações é o próprio cidadão.


Sendo ainda mais críticos, percebemos como o pragmatismo midiático é forte ao ponto de fazer com que o cidadão volte-se contra alguém que luta pelos seus direitos, pois, como podemos lembrar Michael Foucault em “vigiar e punir”, a luta contra o Estado acaba tornando-se uma luta contra o cidadão e contra a sociedade.

Está no momento dos cidadãos perceberem que são oprimidos pelo Estado e condicionados pelos padrões normativos da burguesia, sucumbidos ao receptivo e grilhados por axiomas ideológicos. Está num momento de todo o cidadão assumir uma responsabilidade e consciência libertadora para que, acordados para a realidade, nos vejamos capazes de lutar pelos nossos direitos e pesar, num “pensar certo”, o que as mensagens da comunicação em massa nos proporcionam, assim como a partir de que posicionamento elas se expressam. Somente assim estaremos prontos para poder nos sentir capazes de julgar a “ética” de algum cidadão.

domingo, 31 de março de 2013

Reflexões do dia

Querid@s que acompanham este blog, Desculpem-me pelo meu afastamento nos ultimos tempos.. mas prometo que voltarei a fazer postagens neste blog o qual tenho grande afinidade. Enfim, muitos perceberão um amadurecimento nas ideias, ainda que não tenha aprofundado muito o assunto que será trabalhado. Espero que gostem: Bom, podemos dizer que a prática epistemológica de pesquisa sobre o significado das palavras trata-se de um T.O.C. de pesquisadores na área de humanas, mas a pura reflexão e auto-reflexão sobre a própria pratica, nos possibilita compreender que os signos pactualizados e legitimados em ambientes sócio-culturais podem nos possibilitar conhecimentos e pré-conceitos equivocados. Nesta manhã, assim como em muitas outras me peguei refletindo sobre essa questão: porque as pessoas me consideram inteligente? Tenho grades dificuldades de compreensão sobre assuntos os quais não domino. Sendo desta forma, não me considero inteligente. Segundo o dicionário houaiss: Inteligência  substantivo feminino 1 faculdade de conhecer, compreender e aprender 2 capacidade de compreender e resolver novos problemas e conflitos e de adaptar-se a novas situações 3 conjunto de funções psíquicas e psicofisiológicas que contribuem para o conhecimento, para a compreensão da natureza das coisas e do significado dos fatos Desta forma torna-se um pouco complexo considerar-me apenas uma pessoa esforçada, onde no mesmo dicionário representa: Esforçado  adjetivo 1 que tem vigor, energia; forte 2 feito com trabalho, vigor, diligência  adjetivo e substantivo masculino 3 diz-se de ou indivíduo que demonstra grande aplicação e vigor na realização de suas tarefas 3.1 diz-se de indivíduo que, apesar de pouco ou nada inteligente, empenha-se em realizar satisfatoriamente suas tarefas Ainda assim, apesar da proximidade simbólica dos valores expostos, seguindo a noção do 3.1 do conceito de esforçado, considero que esforço-me mais do que absorvo bem um novo conhecimento. Num geral não acredito em talentos natos, compactuo a idéia de predisposições estimuladas durante o processo de desenvolvimento cognitivo. Nesta predisposição estimulada, as pessoas adquirem maior repertorio cultural e intelectual (como propõe Bourdieu) e, através das legitimações contidas nos ambientes sociais, as pessoas tendem a maior ou menor afinidade com determinadas áreas do conhecimento. Por vezes podemos considerar ainda que existem pessoas que possuem maior facilidade em determinadas áreas, como por exemplo exatas, e pouca desenvoltura para a área de humanas. Da mesma forma podemos considerar o inverso. Podemos por vezes analisar ainda que conteúdos da área de exatas estão mais acessíveis (não determinantemente, mas pré-estimuladas) aos homens, enquanto as áreas de humanas, consideradas mais relativas e menos precisas, são socialmente mais propostas para as mulheres. Indubitavelmente, não deixo de considerar essa analise machista, ou no mínimo um pensamento primitivo sobre a capacidade do desenvolvimento cognitivamente semelhante dos sujeitos sociais, no entanto, esta permanece uma característica vigente socialmente. Quantas não são as pessoas que estranham um pai cuidadoso? Um professor homem na creche? Em verdade as construções sociais do conhecimento tem se transformado de tal forma que a mulher tem deixado de representar a visibilidade no mercado masculino, enquanto o contrário não. Nos últimos tempos podemos perceber maior estranhamento em homens atuando em áreas majoritariamente femininas do que em mulheres trabalhando em áreas majoritariamente masculinas. Uma mulher juíza não é mais estranho do que um pedagogo em creche. Uma mulher dona de empresa não é mais estranha do que um homem babá (o que alias, nem sei se tem um masculino, nem tampouco cheguei a conhecer um homem que atuasse na área). Esta postagem não tem por interesse chegar à conclusões, mas gostaria fica o pensamento. Talves esta seja uma reflexão que interessa a poucos, mas ao mesmo tempo é algo a se refletir....

terça-feira, 27 de março de 2012

Solidário a toda Justiça-escrito em fevereiro

Não é novidade a ninguém o caso ocorrido em 2008 referente a um seqüestro seguido de assassinato. Nesta ultima semana o julgamento do caso de uma morena, morta em 2008, gerou muita polemica, todos os canais televisivos paravam para expor os resultados do julgamento. Os jornais também destacavam colunas para deixar os cidadãos atualizados sobre o andamento das audiências, sobre advogados dizendo para juizas voltarem a estudar e confissões da tragédia.
A população, claramente “solidária a toda justiça social”, comoveu-se e encontrou um tempinho em sua agenda exacerbada para manifestar-se enfrente ao fórum, solicitando condenação para o réu. Cartazes expunham sua indignação, gritos fortificavam seus sentimentos, seus rostos expressavam mais do que seus gritos e, seus gestos, mais que seus cartazes.
Em determinado momento, a mãe loira da filha assassinada morena, postou-se na janela da sala de espera e acenou, uma sena muito semelhante a quando o Rei do Pop, Michael Jackson, esteve no Brasil, nos anos 90, atraindo toda a atenção para si. Pude perceber então como a tragédia serviu para que figuras se tornassem celebridades.
Analisando todo o contexto, ou apenas a parte que a mídia tentou transmitir e cristalizar na mente social, eu me pergunto: E agora como fica o réu?; afinal todo o mundo comete erros e, ele não é o primeiro assassino, nem mesmo o ultimo. Porque este caso é tão polêmico? porque eram namorados? Mas uma vida é uma vida, sendo conhecido ou não. E sua sentença será mais pesada porque a população julgou-o (assim como a Cristo) como culpado e que deve pagar sendo julgado desta forma? Mas e a justiça igual a todos os homens?
Outras perguntas também levanto: porque a população, que pe tão solidária, não ajudou os policiais em sua greve? Por que não marcharam junto aos professores por melhores salários e valorização da profissão? Por que não fazem cartazes de indignação pelo preço do transporte público? Por que não pedem melhoria da Educação? Por que não pedem justiça pelas lutas de classe? Pelos sem teto? Por que não foram solidários nos incêndios ocorridos nas favelas e nas enchentes? Por que o povo não sai as ruas para questionar políticos corruptos? O Preconceito?
A verdade é que tudo isso é muita hipocrisia.

sábado, 5 de novembro de 2011

Homens na Pedagogia: Um estudo sobre as representações e tensões na socialização de gênero.

Ms. Elias Evangelista GOMES (Professor de Sociologia da Educação)
Damásio Rodrigues Simão Reis JORGE (Iniciação Científica)

RESUMO
O tema gênero no campo pedagógico tem sido bastante explorado, abordando quase que, exclusivamente, a partir da perspectiva feminina, da desvalorização docente, ou mesmo da assimilação da feminilidade com o campo pedagógico. Esta pesquisa, no entanto, tem como foco o homem estudante de pedagogia, estagiário, professor da Educação Infantil. Observa-se uma presença majoritária de mulheres no curso de pedagogia e minoritária quanto se trata dos homens que se identificam, principalmente, com o trabalho nas séries iniciais. Parte-se da hipótese de que, tanto para estudantes quanto para os/as profissionais da educação, a presença do homem na Educação Infantil está tensionada por paradigmas e ideologias de diferenciação e desigualdade de gênero. Nesta pesquisa de iniciação científica, busca-se em compreender como homens estudantes de pedagogia se representam e como sentem representados em seus estágios, por pais, mães, crianças, professores/as e toda a comunidade escolar.


OBJETIVO
Esta pesquisa tem como objetivo compreender como são desenvolvidas as práticas de socialização de gênero, a partir da visão de homens estudantes de pedagogia em fase de estágio na Educação Infantil. Nossa intenção é compreender como eles se representam e sentem as representações sobre si mesmos no ambiente educacional infantil.


PROBLEMA DE PESQUISA
Na profissão docente, principalmente na educação infantil e nas séries iniciais, há uma grande concentração de mulheres, refletindo certa orientação e conformação social de que educação é o lugar do cuidado e o cuidado uma tarefa feminina. Porém, existem homens que se aventuram nesse ambiente. Indagamos, então, sobre as sensações vividas por aqueles que se encontram num ambiente profissional em que seu gênero é minoritário. Indaga-se: Quais são as tensões existentes no processo de inserção do homem na Educação Infantil?


METODOLOGIA
Tendo em vista o objetivo e problema de pesquisa, a metodologia qualitativa se mostra mais adequada para responder a pergunta geral. Busca-se, através da análise de casos particulares, compreender como os homens estudantes de pedagogia, em fase de estágio, narram suas experiências de inserção profissional na Educação Infantil. Para isso, serão utilizadas entrevistas semi-estruturadas, visando possibilitar conexões de sentido entre as falas de alguns pesquisados.


REFERENCIAL TEÓRICO

BERGER, Peter & LUCKMANN. A construção social da realidade. 6.ed. Petrópolis: Vozes, 1985.
BOURDIEU, PIERRE. Razões práticas: sobre a teoria da ação. Campinas: Papirus Editora, 1996.
CARVALHO, Marília Pinto de. Movimentos sociais por educação: A invisibilidade dos Gêneros. Caderno de Pesquisa: São Paulo. Maio, 1995.
CARVALHO, Marília Pinto de. Vozes masculinas numa profissão feminina: o que têm a dizer os professores. Faculdade de São Paulo: São Paulo. Setembro, 1998.
CARVALHO, Marília Pinto de. Ensino, uma atividade relacional. Faculdade de Educação da USP: São Paulo, 1998.
ANDRÉ, Marli Eliza Dalmazo Afonso de. Estado de Conhecimento nº 6 Formação de professores no Brasil (1990-1998). MEC/Inep/Comped: Brasília-DF, 2002.
MARTINS, Heloisa Helena T. de Souza. Metodologia Qualitativa de pesquisa. Educação e pesquisa: São Paulo. V.30, n2, p.289-300, maio/ago, 2004.

sábado, 8 de outubro de 2011

O homem na pedagogia.. breve resumo.

O tema Gênero no campo pedagógico tem sido bastante explorado, abordando
quase que exclusivamente a partir da perspectiva feminina, da desvalorização docente,
ou mesmo da assimilação da feminilidade com o campo pedagógico. Esta pesquisa, no
entanto, tem como foco o homem estudante de pedagogia, estagiário, agente no campo
da Educação Infantil. Nos dias atuais há uma busca majoritária de mulheres pelo curso
de pedagogia, e devido a esta realidade, são poucos os homens que se identificam com
o curso e principalmente com o trabalho nas séries iniciais. Não somente para esses
estudantes, mas para toda a sociedade escolar, a presença do homem na Educação
Infantil sofre com paradigmas e ideologias. Nesta pesquisa de iniciação científica
busca-se compreender como estes estudantes de pedagogia se sentem, como sentem-se
representados e como identificam as suas recepções, em seus estágios, por pais, mães,
crianças, professores e toda a comunidade escolar.

Como será que estes homens se sentem no ambiente em que trabalham?

Ética

Como podemos analisar a questão de cola nas escolas?
O professor prepara uma avaliação, nem sempre acima das capacidades do aluno. Nas aulas de avaliação, tenho percebido o quanto é importante a avaliação tanto para o educador quanto para seu educando, para a melhoria dos dois e para um possivel diagnóstico do quanto o educando sabia, quanto ele aprendeu e o que precisará aprender.
Estas noções são extremamente importantes para quem se preocupa com a educação.
As avaliações diagnósticas que visam detectar no educando o quanto sabe e precisa saber, as avaliações mediadora e formativa, que buscam auxiliar e mediar o aluno no processo de desenvolvimento cognitivo,a investigativa, que procura possiveis erros e equivocos e a mais conhecida e valorizada que é a classificatória que atribui e classifica, estabelecendo parâmetros e similaridades.
A verdade é que neste momento percebo o quanto estamos fortemente envolvidos com a avaliação classificatória, onde o que queremos são notas e classificações, se somos melhores ou piores do que alguem.
Acabo de fazer uma prova de Geografia. Triste é saber que quase todos os alunos haviam estudados somente as questões que cairam nesta avaliação, isto porque um amigo nosso havia feito a prova adiantado, e era a mesma prova.
Neste momento reflito, nós que seremos futuros professores.. como poderemos cobrar de nossos educandos que não colem e tudo o mais se nós, enquanto estudantes, estamos colando?
Como poderemos acreditar que serão bons professores, se conseguiram o diploma através da cola?
COmo poderemos cobrar melhorias na didática da professora, se na prova colamos?
E esta ultima que não se faz menos forte para mim, como posso me sentir mal por não ter colado? Será que esta nota é tão importante para mim? será que me sentiria mais realizado se tivesse colado?
A verdade é que não sei, mas acredito que só poderei me sentir realizado por aquilo que fiz e que lutei para fazer éticamente, sem precisar trair ninguem.

A verdade é que precisamos aprender a ensinar as pessoas a lutarem, não por classificação, mas por compreenção e ética. O que não quero para mim, não desejo a ninguem.

Desculpem acabou sendo mais um desabafo...
E desculpem também se fico muito tempo sem escrever, mas meus dias andam corridos ultimamente.

Com carinho

Dam Reis

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A didática....

O que podemos dizer das didáticas?
Existem momentos em que devemos estar juntos
Existem outros em que devemos deixar que o educando aprenda sozinho..
Mas precisamos ser humildes para saber o momento certo de cada um dos dois



A educação é mais do que o que se faz, mas sim como você faz o que faz.
Não basta que nossos atos estejam banhados de conhecimentos negligenciados, não basta somente sabermos o que fazer, precisamos tornar nossos conhecimentos sobre o cuidado com o outro, seja criança, adulto ou adolescente. A verdade é que quando dominamos a situação esquecemos que nossos alunos nos ensinam mais do que ensinamos a eles. Muitas vezes, ao passarmos do estado de "oprimido" no campo educacional, nos sentimos na necessidade de assumir uma postura de "opressor". COmo dizia Paulo Freire, devemos ter acima de tudo humildade, respeitar que cada um possui um tempo diferente para o seu desenvolvimento, e que educar é saber amar, é um ato de compromisso com o outro e uma pratica que deve sobre tudo educar para a vida e para a própria libertação, um ato político.

domingo, 10 de abril de 2011

pertencimento racial

Massacre no RIo


Questões foram levantadas neste video que valem uma análise:
O que o governo pode fazer para mudar isto?
qual é o papel da escola?
Quem é o responsavel por isto? éo governo? é a sociedade?
O que será feito a partir de então?
Por que a sociedade diz que é culpa do governo?

Sem querer contrariar ou, ja contrariando, este acontecimento nos ajuda a pensar em muitas coisas na escola.
Em primeiro lugar gostaria de dizer que nem tudo o que foi dito eu concordo. Em primeiro lugar discordo quando dizem que a culpa é do governo, e não por querer defende-lo, mas acredito que a culpa está antes dele. Antes de alguem pertencer ao governo ou Estado, a pessoa era um cidadão. Então o problema não se encontra no fato de estar no governo, mas sim de enquanto cidadão, não ter como importante as necessidades sociais.
Acredito que a culpa do ocorrido se deve também a sociedade. Quando estavamos na ditadura, por mais que não tivessemos o direito da livre expressão, as pessoas saiam as ruas para questionar o governo. Com o advento da democracia, o povo passou a entregar as responsabilidades para determinadas pessoas e assim, preferem delegar o direito de pensarem por eles. As coisas na sociedade tem acontecido de modo que o povo não se conforma e tudo o que fazemos é reclamar com amigos, mas não nos damos mais ao trabalho de ir ao planalto reclamar nossos direitos e vontades. O povo espera que o governo pense pelo povo, o que está errado, quem melhor do que o oprimido para saber o que o oprimido necessita? Como dizem: "Se você não pensa, é pensado pelos outros!" e nós temos permitido que pensem por nós.
Ai surge numa entrevista como esta uma pessoa dizendo que o governo precisa fazer alguma coisa. Eu até concordo que há a necessidade de se tomar alguma atitude, mas o governo vai fazer o que? aumentar o policiamento? impedir que outras pessoas entrem nas escolas? Em geral isto seria uma resolução do problema?
Depois passam-se a fazer considerações dizendo que é necessaria uma formação maior nos professores. O ser humano sente uma necessidade de delegar a culpa a pessoas singulares, eles não percebem que todos tem culpa, não somente os professores, mas coordenadores, diretores, fachineiros, porteiros e familiares. A sala de aula não é um ambiente isolado do mundo, ela faz parte da sociedade e nela se apresentam as caracteristicas existentes na sociedade. Culpar somente os professores e suas formações é a parte facil.
Tenho considerado as informações do ocorrido. Disseram que o assassino sofria de buylling durante a epoca da escola. Neste momento devemos considerar a atuação dos professores sim. Mas o problema se encontra em os professores não fazerem nada nestas situações, ou trata-las como casos isolados. Ao isolarem a situação é que o problema se mantem. Ao invés das escolas fazerem um trabalho de conscientização coletiva, envolvendo toda a escola, elas falam somente com a criança que praticou, isto quando falam com as crianças. Muitas vezes consideram como simples "brincadeirinhas", e são exatamente estas brincadeiras que dão origem a situações como as ocorridas. Ai simplesmente falamos que o problema está na formação academica do professor.
Pessoalmente acredito que não basta ter-se uma boa formação academica de abolição dos preconceitos. Acredito que o problema se encontra na formação pessoal das pessoas e da sociedade. Quando a pessoa obtem uma sensibilidade maior, ai ela passa a perceber quando o preconceito está ativo, e ela tendo isto como uma preocupação pessoal, passa a desenvolver seu trabalho para uma coletividade desta consciencia. Paulo Freire falava sobre o pensar certo. Muitos professores falam ser contra o preconceito, porém não respeitam a diversidade, ou não conseguem reconhecer que determinadas ações são incoerentes com a filosofia que diz praticar, ai é que entra a falta de praxis filosofica.
Não basta um professor ter uma boa formação de professor se ele não tem uma consciencia critica das situações. Um exemplo ocorreu com uma aluna de pedagogia, onde na escola onde fazia estagio, uma professora colocou para tocar musica da Xuxa e duas meninas negras estavam dançando e um garoto gritou "onde ja se viu paquita preta?", neste momento as duas meninas pararam de dançar e a professora não fez nada. Não digo que ela tenha percebido que isto foi preconceito, talvés não tenha tido esta sensibilidade. Nesta situação percebe-se que o problema não está somente na formação de professora dela, mas sim nas concepções de ser humano que foram desenvolvidas durante toda a sua vida. Aquilo poderia também ter sido tratado caso ela percebesse na sala, mas isto também não resolveria. O importante seria que o trabalho fosse desenvolvido em toda a escola, afinal aquilo pode ser que não aconteça somente naquela sala. Este tipo de situação acontece em diversos lugares, não somente na sala de aula, e não basta querermos mudar isto quando a pessoa está na Universidade, estas situações devem mudar desde o maternal, pois é neste periodo que as crianças estão desenvolvendo os conceitos de ser humano, de convivencia social e de causa e efeito.
O problema encontra-se sim nos professores, mas não somente neles, o problema também encontra-se na própria sociedade. Em todo o convivio social que temos, pois somos todos sujeitos ativos da sociedade, incluindo o governo, e equanto não desenvolvermos uma consciencia disto, outras tragedias vão continuar ocorrendo.